top of page

As mulheres e a cultura do algodão no Médio Jequitinhonha

  • Tingui
  • 16 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

O fortalecimento da cultura do algodão é um dos eixos centrais do trabalho da Tingui junto às comunidades rurais e quilombolas do Médio Jequitinhonha. Desde 2020, a partir do diagnóstico de que a fibra do algodão já não vinha sendo produzida localmente em quantidade suficiente para sustentar a produção artesanal do grupo Tecelãs de Tocoiós, a Tingui iniciou uma ação estruturada de fortalecimento do plantio de algodão agroecológico.



Atualmente, além da produção espontânea em roças e quintais produtivos, 7 famílias dedicam-se de forma sistemática à produção da fibra, tendo colhido cerca de 400 quilos de algodão em 2025.


O fortalecimento do plantio fomentou, de maneira direta, a retomada da produção artesanal e despertou, entre ex-fiandeiras, o desejo de reativar a fiação coletiva - prática amplamente presente na memória das mulheres mais velhas e fundamental na cultura do algodão no Vale do Jequitinhonha.


Com o apoio da Tingui, e financiamento pela Lei Paulo Gustavo, diversas rodas de fiar foram recuperadas e passaram a funcionar novamente. Foram formados cinco grupos de fiação nas comunidades quilombolas de Empoeira e Tocoiós, no município de Francisco Badaró; Santana, Cipó e comunidade quilombola do Curtume, no município de Jenipapo de Minas. Ao todo, 50 mulheres participaram ativamente dos encontros, retomando o ofício da fiação e fortalecendo os laços comunitários por meio da prática coletiva. Em média, os grupos se reuniam a cada quinze dias, retomando também as cantigas e os cantos de trabalho tradicionalmente associados à cultura do algodão.


Além da fiação, a Tingui vem promovendo oficinas de tingimento vegetal voltadas às fiandeiras, com o objetivo de fortalecer esse saber ancestral transmitido, historicamente, de geração em geração.


Todo o algodão utilizado na fiação foi adquirido diretamente das famílias agricultoras que retomaram o plantio, fortalecendo os circuitos locais de produção e circulação da fibra.


Em maio, como forma de celebrar a retomada da fiação, a Tingui realizou o 1º Grande Encontro das Fiandeiras do Vale do Jequitinhonha, em Tocoiós de Minas. Além das mulheres que já vinham se encontrando quinzenalmente, foram convidadas fiandeiras de outros municípios, incluindo Chapada do Norte, Virgem da Lapa, Berilo, Turmalina e Almenara. O encontro contou ainda com a presença de fiandeiras do quilombo Gurutuba, em Monte Azul (Norte de Minas), e do grupo Meninas de Sinhá, de Belo Horizonte. Ao todo, cerca de 120 pessoas participaram do evento.


O encontro foi registrado em um webdocumentário, disponível no canal da Tingui no YouTube.


A partir desse encontro, foi constituído um grupo cultural de mulheres fiandeiras, que canta a cultura do algodão do Vale do Jequitinhonha e que já foi convidado a se apresentar ao público em Belo Horizonte, no evento Cátedra Saberes Tradicionais, do IEAT/UFMG, em dezembro de 2025.


Os fios de algodão produzidos pelos grupos de fiação vêm sendo utilizados por diferentes coletivos produtivos de mulheres do Vale do Jequitinhonha, como as Bordadeiras do Curtume, as Crocheteiras do Algodão, as Tecelãs do Corim e as próprias Tecelãs de Tocoiós. Dessa forma, o fortalecimento da cultura do algodão atravessa todo o ciclo produtivo - iniciando-se no plantio das sementes crioulas, passando pelo cultivo agroecológico, colheita, beneficiamento, fiação e tingimento, até chegar à tecelagem, ao bordado e ao crochê - envolvendo diretamente cerca de 160 mulheres.



Além de promover geração de renda, o projeto constitui um importante vetor de preservação dos saberes tradicionais e dos modos de vida locais.


 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
Termo de fomento

A Tingui tem alegria em divulgar o  TERMO DE FOMENTO 1481000720/2025 , firmado junto à SEDESE , advindo de indicação de Emenda Parlamentar da deputada estadual Bella Gonçalves . Objeto do termo de fo

 
 
 

Comentários


bottom of page